vitra. arquitectura em dose extra.

Vitra é uma mítica fábrica de mobiliário que reproduz fielmente peças desenhadas pelos arquitectos e designers que mais marcaram a nossa história (e que qualquer pessoa adoraria ter em casa, não fossem os preços exorbitantes). Em Weil am Rhein, na Alemanha, a fábrica tem vindo a construir/coleccionar edifícios dos arquitectos mais famosos da actualidade, uns para museu, outros para fábrica, zonas de conferências, workshops.. Esta fantástica exposição de arquitectura à escala real conta com obras de Zaha Hadid, Siza, Ghery, Buckminster Fuller, Jean Prouvé, Tadao Ando, Sejima e Herzog (estes dois últimos ainda em construção) e tornou-se já numa Meca para qualquer amante da arquitectura.

Zaha Hadid . fire station.
Nunca tinha visitado um edifício dela, e por isso a expectativa e a curiosidade eram enormes.







O conceito é o de um edifício "explosivo", capaz de transmitir uma ideia de chama, de dinamismo, desequilíbrio, desorientação.. As paredes são inclinadas, os planos enviesados, e fazem-nos perder por completo a referência do plano horizontal. É incrível a sensação produzida nos espaços mais pequenos - só mesmo estando lá para sentir as tonturas, a náusea, o desconforto.
A plasticidade de Hadid na produção de objectos (diz-se que apenas) exteriormente bonitos, estende-se aqui ao interior e conforma um conjunto indiscutivelmente coerente e sedutor. Os materiais parecem-me bem escolhidos (mesmo a cofragem exterior, que eu sempre achei que desfavorecia a sua plasticidade) e os planos metálicos no interior favorecem o dinamismo do conjunto.

Siza.


Buckminster Fuller e Jean Prouvé.


Ghery . o museu.



Tadao Ando. conference pavilion.
É uma das raras obras de Ando na Europa e está assumidamente impregnada de simbolismo oriental. O edifício estende-se tranquilo entre a vegetação pré-existente e parece ser pequena a área construída. É por isso um dos pontos interessantes da obra o efeito surpresa que se tem no interior, pela riqueza e multiplicidade dos espaços encontrados. Ao mesmo tempo, a clareza formal exterior dá lugar a alguma desorientação e dificuldade na percepção da distribuição programática. A zona do bar, redonda, parece ser o centro gravitacional do edifício e à volta dele, nos extremos, escondidas e difíceis de encontrar, estão as salas de conferências. Estas últimas, repousam num contexto de isolamento, calma e contemplação da natureza. É sem dúvida um espaço confortável, com uma conjugação de luz e materiais capazes de produzir uma atmosfera macia e convidativa a permanecer e contemplar o construído e o natural envolvente.




Zaha Hadid . LF one Pavilion.
Fora de Vitra mas geograficamente próximo está um outro edifício de Hadid.

Fica a imagem do edifício e de um interior "assassinado".
16.02.2008